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Ciência

Educação e Biofísica no PubhD UMinho

O PubhD é um movimento internacional de divulgação informal da ciência, lançado em Nottingham (Reino Unido) em 2015 e que chegou a Portugal pouco depois. Tem como principais características a realização de conversas informais sobre projetos de investigação, em bares, limitando os oradores à comunicação criativa sem apoio de suportes multimédia e sujeitando-se eles às perguntas do público leigo no assunto.

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O Barhaus, em Braga, recebe no dia 24 de Outubro, pelas 21h15, mais uma sessão do PubhD UMInho. Desta vez os convidados chegam do mundo da Biofísica e da Educação. Sérgio Veloso apresentará a sua pesquisa sobre magnetogéis de efeito terapêutico e Marisa Batista abordará a inclusão e a multiculturalidade no contexto escolar.

Marisa Batista (Educação) – “Quando o mundo entra na escola”
Refazer a vida e sonhar com um futuro melhor num país estranho pode ser um desafio com muitas dificuldades. Parte dos obstáculos emergem na escola, onde ao constrangimento da adaptação acresce a exclusão. A falta de sensibilização para o multiculturalismo e a hibridez, características do mundo em que hoje vivemos, são, segundo acredita a investigadora Marisa Batista, fruto da incapacidade formativa da comunidade escolar onde funcionários e professores “não estão capacitados e muito menos corroboram para o grau de complexidade desta inclusão”. No seu projeto de doutoramento, Marisa explora fórmulas que possam combater a exclusão social no contexto escolar, enfrentar a homogeneização e a normalização burocrática que identifica como principais inadequações do ambiente escolar e das relações sociais que nele decorrem. “O cidadão do mundo e a organização ética da escola”, tema da sua tese em curso na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, resume o objetivo central do projeto e que passa por sensibilizar os agentes educativos para a convivência com a diferença.

Sérgio Veloso (Biofísica) – “Atraídos pelo hidrogel”
Licenciado em Bioquímica, Sérgio Veloso ensaia no seu projeto de mestrado em Biofísica e Bionanossistemas o efeito terapêutico dos magnetogéis. Dito assim, o assunto parece indecifrável, mas o propósito é bem compreensível: com os seus estudos o investigador pretende desenvolver um dispositivo médico para a terapia combinada. Na prática, isto significa que a utilização de hidrogelantes sintetizados em laboratório (moléculas muito pequenas que se organizam em redes quando inseridas em água) pode facilitar a aplicação de medicamentos, por via de doseamento que evite deslocações frequentes ao médico apenas por motivos de regularização da medicação. “O objetivo é desenvolver um dispositivo médico para a terapia combinada”, afirma o investigador do Centro de Física da Universidade do Minho.

O PubhD é um movimento internacional de divulgação informal da ciência, lançado em Nottingham (Reino Unido) em 2015 e que chegou a Portugal pouco depois. Tem como principais características a realização de conversas informais sobre projetos de investigação, em bares, limitando os oradores à comunicação criativa sem apoio de suportes multimédia e sujeitando-se eles às perguntas do público leigo no assunto. O PubhD UMinho é organizado pelo STOL, um grupo de Comunicação de Ciência do departamento de Biologia-UMinho e já contou com a participação de 86 investigadores nas mais diversas áreas perfazendo, com esta, 41 sessões.

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Ciência

«O ambiente precário generalizado e a falta de oportunidades afastam muitos jovens brilhantes de Portugal»

Desde que concluí a minha licenciatura em 2000 pouco tempo passei em Portugal, tendo trabalhado na Alemanha, Cabo Verde, Arábia Saudita, Reino Unido, e estando actualmente em Macau. Embarcar numa carreira de investigação académica nos dias de hoje pressupõe um certo espírito de aventura e disponibilidade para ir atrás das oportunidades onde quer que elas estejam.

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André Antunes

Pode descrever de forma sucinta (para nós, leigos) o que faz profissionalmente?

Sou Professor Associado no primeiro Laboratório de Referência Estatal Chinês para as Ciências Lunares e Planetárias, recentemente criado na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. Faço investigação na área de Microbiologia de ambientes extremos e sou responsável pela implementação do primeiro laboratório de Astrobiologia na China.

Agora pedimos-lhe que tente contagiar-nos: o que há de particularmente entusiasmante na sua área de trabalho?

Trabalhar nesta área é verdadeiramente apaixonante! Tenho tido a oportunidade de participar e liderar várias expedições científicas e de visitar alguns dos ambientes mais extremos conhecidos à face da Terra (desde complexos de minas em Inglaterra, fossas abissais salinas no fundo do Mar Vermelho, ou salinas abandonadas em Cabo Verde). Alguns dos ambientes com que trabalho são tão inóspitos que foram considerados estéreis até há pouco tempo. A oportunidade de descobrir novos grupos de micróbios completamente desconhecidos e de descortinar quais as suas características, modos de adaptação e sobrevivência a condições tão extremas, ou possíveis aplicações biotecnológicas, é muito gratificante. Ser a primeira pessoa no mundo a estudar a microbiologia de um local extremo, depois de várias semanas no mar, ou observar um micróbio nunca antes visto são experiências únicas.

A exploração destes ambientes permite-me contribuir para a redefinição dos limites da Vida. Por outro lado, as semelhanças destes locais com as condições presentes em Marte, ou mesmo nos oceanos de Europa ou Encélado, permitem-me estar ligado ao sector da exploração espacial e contribuir para futuras missões que procurem sinais de vida nestes locais. De um ponto de vista mais filosófico, a minha área de investigação permite encontrar informações vitais para responder à pergunta mais importante que a Humanidade já se perguntou: “Será que estamos sós no Universo?”

Por que motivos decidiu fazer períodos de investigação no estrangeiro e o que encontrou de inesperado nessa realidade académica?

Desde que concluí a minha licenciatura em 2000 pouco tempo passei em Portugal, tendo trabalhado na Alemanha, Cabo Verde, Arábia Saudita, Reino Unido, e estando actualmente em Macau. Embarcar numa carreira de investigação académica nos dias de hoje pressupõe um certo espírito de aventura e disponibilidade para ir atrás das oportunidades onde quer que elas estejam. A verdade é que optar pelo estrangeiro abriu-me um leque de desafios e oportunidades a que não tinha acesso Portugal.

As experiências que tive no estrangeiro têm sido bastante diversas, mas uma das maiores surpresas foi o excelente nível de preparação com que saí da Universidade de Coimbra. Uma diferença completamente inesperada foi o grande nível de proximidade entre professores e alunos que encontrei no estrangeiro e uma maior agilidade das instituições para promover e fazer uso de redes de antigos alunos.

Que apreciação faz do panorama científico português, tanto na sua área como de uma forma mais geral?

A meu ver, a ciência em Portugal precisa de grandes mudanças. As políticas das últimas décadas apoiaram a formação de uma grande quantidade de novos investigadores, mas não criaram condições para os acolher. O ambiente precário generalizado e a falta de oportunidades afastam muitos jovens brilhantes de Portugal e as universidades portuguesas perdem competitividade e envelhecem a olhos vistos. A falta de renovação nas universidades Portuguesas é preocupante, visto que impede a transferência de saber entre gerações e a continuidade de linhas de investigação (que muitas vezes se perdem para sempre) quando se reforma um professor.

É verdade que a falta de financiamento crónico, e irregularidade dos concursos de financiamento causam danos, como apontado regularmente por várias instituições e investigadores. Mas igualmente críticas são a notória falta de cultura de cooperação interna e falta de transparência. Infelizmente, todos conhecemos casos dúbios de colocações e progressões de carreira desligadas do mérito dos candidatos que se perpetuam sem causar grande incómodo a nível institucional.

Que ferramentas do GPS lhe parecem particularmente interessantes, e porquê?

Considero o GPS uma excelente iniciativa! Acho que está a cobrir uma lacuna importante ao promover a formações de redes globais de investigadores portugueses, apesar de necessitar de aumentar a sua visibilidade. Creio que uma eventual extensão do conceito para todos os investigadores lusófonos poderia ser uma boa ideia para o futuro desta plataforma.

© 2019 – Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva
GPS / Fundação Francisco Manuel dos Santos

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Geologia

Geopark Terras de Cavaleiros vai integrar programa de Orientação e Intercâmbio de Conhecimento da UNESCO

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O Geopark Terras de Cavaleiros, no Município de Macedo de Cavaleiros, foi selecionado para integrar o Programa Global de Orientação e Intercâmbio de Conhecimento de Geoparques da UNESCO. Este é um novo projeto de mentoria que procura ajudar os parques que se candidataram a geoparques da UNESCO a cumprirem os requisitos e a concluírem o processo de inscrição.

O Geopark Terras de Cavaleiros foi um dos selecionados para integrar este programa pioneiro da UNESCO e vai receber dois representantes do Parque Nacional Los Nevados e do Geopark Aspirante Vulcânico El Ruiz (ambos da Colômbia), que permanecerão em Macedo de Cavaleiros entre 8 e 24 de novembro e receberão a oportunidade de aprenderem a gerir um geoparque, bem como a oportunidade de participarem nas atividades aos níveis da Geoconservação, Geoeducação e Geoturismo.

Benjamim Rodrigues, presidente da Câmara de Macedo de Cavaleiros e da Associação Geoparque Terras de Cavaleiros, explica que “é uma honra muito grande para nós sermos escolhidos como um dos geoparques mentores que irá ajudar os parques aspirantes”. “É um claro sinal de que o trabalho que estamos a desenvolver está a ser bem feito e que pode ser útil para os parques aspirantes que pretendem entrar na rede global da UNESCO”, salienta.

O Programa Internacional de Geociências e Geoparques da UNESCO (IGGP) tem como principal missão estreitar o apoio e dar visibilidade ao desenvolvimento de projetos de ciência e de divulgação na área das Ciências da Terra. Enquanto promotores do Programa Global de Orientação e Intercâmbio de Conhecimento de Geoparques da UNESCO, o IGGP selecionou nove geoparques integrantes da Rede Global e dez aspirantes.

Os Geoparques Globais da UNESCO são áreas geográficas unificadas e únicas, onde locais e paisagens de importância geológica internacional são geridos com um conceito holístico de geoconservação, proteção ambiental, educação e desenvolvimento sustentável. A sua abordagem deverá ser de baixo para cima, conciliando conservação e desenvolvimento sustentável, envolvendo sempre as comunidades locais. Atualmente existem 147 geoparques globais da UNESCO em 41 países.

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Ciência

Novas descobertas sobre técnica de estimulação elétrica do cérebro

O estudo contou com a participação de 14 pessoas que tiveram o seu córtex motor estimulado. Quando a corrente elétrica passa nesta região do cérebro há um efeito involuntário nos músculos das suas mãos. Para perceber melhor o efeito, os investigadores utilizaram um dispositivo não-invasivo que gera campos magnéticos.

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Rita Donato

A recente técnica de estimulação cerebral não-invasiva é promissora no estudo da atividade motora. E se tivesse a capacidade de mover a mão de outra pessoa? Os cientistas são capazes de fazê-lo fazendo passar uma corrente elétrica pela cabeça. Uma investigação recente publicada na Scientific Reports of Nature Research veio clarificar alguns parâmetros de uma destas técnicas, a Estimulação Transcraniana de Ruído Aleatório – tRNS. Esta técnica tem dado frutos em particular na investigação de tarefas motoras, sensoriais e cognitivas mas o seu funcionamento ainda era pouco conhecido. Recentemente, os investigadores da Universidade de Pádua demonstraram que utilizar uma gama mais larga de frequências altas é mais eficaz que utilizar intervalos estreitos.

Desta equipa faz parte Rita Donato, que atualmente está a fazer o doutoramento no Proaction Lab na Universidade de Coimbra. “Nós decidimos testar se conseguíamos produzir um efeito tão bom ao nível motor se dividíssemos o intervalo de frequências postulado em intervalos mais pequenos”, explicou Rita Donato. A equipa então testou o intervalo tabelado dos 100Hz aos 700Hz, assim como dois sub-intervalos mais curtos.

O estudo contou com a participação de 14 pessoas que tiveram o seu córtex motor estimulado. Quando a corrente elétrica passa nesta região do cérebro há um efeito involuntário nos músculos das suas mãos. Para perceber melhor o efeito, os investigadores utilizaram um dispositivo não-invasivo que gera campos magnéticos. O movimento induzido na mão era registado e posteriormente analisaram-se os dados. “Percebemos que uma gama mais larga de frequências provocava um efeito mais pronunciado”, explicou a investigadora italiana. “Dividindo o intervalo em “sub-intervalos” não foi tão eficiente”.

A diferença do tRNS de outras técnicas de estimulação elétrica é que este tipo de corrente passa em frequências aleatórias, isto é, o cérebro não consegue “prever” a ordem em que as frequências de corrente passam. “Um exemplo para explicar este fenómeno é comparar com um fumador”, disse Rita Donato. “Quando se começa a fumar, sente-se um efeito maior do que após fumar durante vários meses. Após dois meses o efeito que se sente de um cigarro parece ser menor porque há uma habituação”.

De acordo com a aluna de doutoramento, o cérebro habitua-se às frequências de uma forma semelhante. Se este for estimulado sempre com a mesma frequência, ele adapta-se à mesma, pelo que um sistema aleatório funciona de uma forma menos previsível.

A aplicação de técnicas de estimulação semelhantes já acontece em pacientes com doenças motoras e mentais, mas é necessária mais investigação para se poder utilizar a tRNS em projetos clínicos. “As nossas descobertas trouxeram mais conhecimento e penso que, na ciência, as coisas devem ser explicadas”, comentou a investigadora. Uma vez que o estudo foi efetuado num intervalo de alta frequência, o próximo passo será estudar o intervalo de baixa frequência e comparar resultados.

De momento Rita Donato está focada no estudo de áreas do cérebro que processam a informação ao observar ferramentas e mãos. Para tal ela utiliza técnicas de neuroimagiologia e outra técnica de estimulação elétrica.

Rita Donato obteve o seu mestrado em Neurociência Cognitiva e Neuropsicologia Clínica na Universidade de Pádua. Atualmente ela é uma aluna de doutoramento a fazer um ano do mesmo no Proaction Lab (Laboratório de Percepção e Reconhecimento de Objectos e Ações) na Universidade de Coimbra. O seu projeto está focado no papel da corrente dorsal e ventral no processamento visual de objetos, utilizando imagens obtidas por ressonância magnética funcional.

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