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Geopark Terras de Cavaleiros vai integrar programa de Orientação e Intercâmbio de Conhecimento da UNESCO

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O Geopark Terras de Cavaleiros, no Município de Macedo de Cavaleiros, foi selecionado para integrar o Programa Global de Orientação e Intercâmbio de Conhecimento de Geoparques da UNESCO. Este é um novo projeto de mentoria que procura ajudar os parques que se candidataram a geoparques da UNESCO a cumprirem os requisitos e a concluírem o processo de inscrição.

O Geopark Terras de Cavaleiros foi um dos selecionados para integrar este programa pioneiro da UNESCO e vai receber dois representantes do Parque Nacional Los Nevados e do Geopark Aspirante Vulcânico El Ruiz (ambos da Colômbia), que permanecerão em Macedo de Cavaleiros entre 8 e 24 de novembro e receberão a oportunidade de aprenderem a gerir um geoparque, bem como a oportunidade de participarem nas atividades aos níveis da Geoconservação, Geoeducação e Geoturismo.

Benjamim Rodrigues, presidente da Câmara de Macedo de Cavaleiros e da Associação Geoparque Terras de Cavaleiros, explica que “é uma honra muito grande para nós sermos escolhidos como um dos geoparques mentores que irá ajudar os parques aspirantes”. “É um claro sinal de que o trabalho que estamos a desenvolver está a ser bem feito e que pode ser útil para os parques aspirantes que pretendem entrar na rede global da UNESCO”, salienta.

O Programa Internacional de Geociências e Geoparques da UNESCO (IGGP) tem como principal missão estreitar o apoio e dar visibilidade ao desenvolvimento de projetos de ciência e de divulgação na área das Ciências da Terra. Enquanto promotores do Programa Global de Orientação e Intercâmbio de Conhecimento de Geoparques da UNESCO, o IGGP selecionou nove geoparques integrantes da Rede Global e dez aspirantes.

Os Geoparques Globais da UNESCO são áreas geográficas unificadas e únicas, onde locais e paisagens de importância geológica internacional são geridos com um conceito holístico de geoconservação, proteção ambiental, educação e desenvolvimento sustentável. A sua abordagem deverá ser de baixo para cima, conciliando conservação e desenvolvimento sustentável, envolvendo sempre as comunidades locais. Atualmente existem 147 geoparques globais da UNESCO em 41 países.

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Geologia

Reflexões sobre o ensino da geologia nas nossas escolas

Podemos mostrar aos nossos alunos muitas e variadas estruturas tectónicas, como dobras, falhas, cavalgamentos, carreamentos e uma excepcional discordância angular.

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Se há matérias que têm características passíveis de serem ministradas numa política de regionalização do ensino e que muito conviria considerar, a Geologia satisfaz esta condição.

Portugal, de Norte a Sul e nas Ilhas, dispõe de uma variedade de terrenos que cobrem uma grande parte do tempo geológico, desde o Pré-câmbrico, com mil milhões de anos, aos tempos recentes. No que se refere à diversidade litológica, o território nacional exibe uma variedade imensa de tipos de rochas, entre ígneas, metamórficas e sedimentares e, no que diz respeito aos minerais, o número de espécies aqui representadas é, igualmente, muito grande, e o número de minas espalhadas pelo território e hoje abandonadas ultrapassa a centena.

Temos, muito bem documentadas, as duas últimas grandes convulsões orogénicas. A Orogenia Hercínica ou Varisca, que aqui edificou parte da vasta e imponente cadeia de montanhas de há mais de 300 milhões de anos (Ma) e hoje quase completamente arrasada pela erosão, e a Orogenia Alpina que, nas últimas dezenas de milhões de anos, entre outras manifestações, elevou o maciço da Serra da Estrela, à semelhança de uma tecla de piano que se levanta acima das outras, e dobrou o espectacular anticlinal tombado para Sul, representado pela serra da Arrábida.

Podemos mostrar aos nossos alunos muitas e variadas estruturas tectónicas, como dobras, falhas, cavalgamentos, carreamentos e uma excepcional discordância angular.

Temos, à nossa disposição, múltiplos aspectos de vulcanismo activo e adormecido (nos Açores) e extinto, de um passado recente (na Madeira, há 7 Ma, e Porto Santo, há 14 Ma) e antigo de cerca de 70 Ma, entre Lisboa e Mafra.

Temos fósseis de todos os grandes grupos sistemáticos e de todas épocas. Temos dinossáurios em quantidade e algumas das pistas com pegadas destes animais entre as mais importantes da Europa e do mundo.

Tudo isto para dizer que, no ensino da Geologia, para além de um conjunto de bases gerais consideradas essenciais e comuns a todas as escolas do país, as do ensino secundário, deveriam ministrar um complemento criteriosamente escolhido sobre a geologia da região onde se inserem.

Assim, e a título de exemplo, as escolas das regiões autónomas, aproveitando as condições especiais que a natureza lhes oferece, deveriam privilegiar o ensino da geologia própria das regiões vulcânicas, incluindo a geomorfologia, a petrografia, a mineralogia, a geotermia e a sismicidade (estas duas, nos Açores).

Do mesmo modo, o citado vulcanismo extinto, entre Lisboa e Mafra, o maciço subvulcânico de Sintra (possivelmente um lacólito), o mar tropical pouco profundo que aqui existiu, durante uma parte do período Cretácico, deveriam ser objecto de estudo dos alunos da “Grande Lisboa”.

Os exemplos são muitos e cobrem todo o território. O termalismo em Chaves, São Pedro do Sul e em muitas outras localidades, os vestígios de glaciações deixados nas serras da Estrela e do Gerês, o complexo metamórfico e os granitos da foz do Douro, os “grés” de Silves, os quartzitos da Livraria do Mondego e a discordância angular da Praia do Telheiro (Vila do Bispo) deveriam constar dos programas das escolas das redondezas.

Estes e muitos outros exemplos reforçam a ideia da possibilidade de uma adequada informação sobre a geologia regional a complementar um bem pensado programa de base comum a todas as escolas.

A.M. Galopim de Carvalho
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