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Património

Investimento de 100 Mil euros na Citânia de Santa Luzia, Viana do Castelo

Os trabalhos propostos, cujo prazo de execução é de 180 dias, incidem na estabilização/restauro das alvenarias dos diferentes sistemas estruturais que constituem a Cidade Velha de Santa Luzia, um notável exemplar dos povoados fortificados existentes no Noroeste Peninsular

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Orçada em mais de 100 Mil euros, vai ter início, em janeiro próximo, a intervenção de conservação das Ruínas da Cidade Velha de Santa Luzia (Citânia de Santa Luzia), em Viana do Castelo.

Os trabalhos propostos, cujo prazo de execução é de 180 dias, incidem na estabilização/restauro das alvenarias dos diferentes sistemas estruturais que constituem a Cidade Velha de Santa Luzia, um notável exemplar dos povoados fortificados existentes no Noroeste Peninsular, tanto pela sua dimensão, como pelo planeamento urbanístico, tipologia construtiva e carácter defensivo.

A reposição observará as técnicas construtivas tradicionais incluindo a colocação de elementos de travamento transversal com a dimensão e o espaçamento que vier a ser determinado em obra. O assentamento será executado sem recurso à utilização de argamassas evitando a utilização de elementos de fixação, de forma a constituir um aparelho com as características da alvenaria existente.

Serão utilizadas as unidades de alvenaria existentes no local prevendo-se a possibilidade de recorrer a unidades existentes em depósito, dentro do perímetro da Cidade Velha, caso seja necessário para colmatar espaços ou proceder a reforços complementares.

A intervenção será custeada pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, conforme estabelecido no Protocolo de Colaboração celebrado entre a Direção Regional de Cultura do Norte e o Município de Viana do Castelo na sequência do Estudo de Impacto Ambiental de Consolidação do Parque Empresarial de Lanheses. Considerando-se ser necessário implementar medidas compensatórias referentes à salvaguarda do património existente no concelho de Viana do Castelo, a Câmara Municipal optou por alocar o investimento no projeto de conservação das ruínas arqueológicas da Cidade Velha de Santa Luzia.

Este monumento nacional, classificado em 1926, é propriedade do Estado Português e encontra-se afeto à Direção Regional de Cultura do Norte, através da Portaria nº 829/2009, de 24 de agosto, sendo da sua competência a manutenção, gestão e valorização deste património.

Museus

Apresentada publicamente a Revista Memória Rural, nº 2

A segunda edição desta publicação do Museu da Memória Rural vai ficar disponível brevemente para poder ser adquirida via online, no site do museu

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Foi já realizada a apresentação da Revista Memória Rural, nº 2. A sede do Museu da Memória Rural, em Vilarinho da Castanheira, foi palco do lançamento, tendo contado com a análise critica dos conteúdo do Doutor António Ponte , Diretor Regional de Cultura do Norte.

A segunda edição desta publicação do Museu da Memória Rural vai ficar disponível brevemente para poder ser adquirida via online, no site do museu (https://museudamemoriarural.pt/loja ). E tanto este, como o primeiro número, podem ser adquiridos na Biblioteca Municipal de Carrazeda de Ansiães, no Museu da Memória Rural em Vilarinho da Castanheira, no Posto de Turismo de Carrazeda de Ansiães e no Centro Interpretativo do Vale do Tua.
De forma semelhante ao ano transato também este número será distribuído a todas as bibliotecas municipais de Trás-os-Montes e a todas as bibliotecas das faculdades de letras do país.

O volume referente ao ano de 2019, além Nota de abertura do Presidente da Câmara Municipal
de Carrazeda de Ansiães, Dr.João Manuel Gonçalves, integra os seguintes artigos:

  1. A Tecelagem artesanal no concelho de Carrazeda de Ansiães. O processo de manufatura e as memórias relacionadas com a produção das tradicionais mantas de lã de ovelha
    Isabel Alexandra Lopes
  2. Os Moinhos do Ribeiro do Coito
    Rodolfo Manaia
  3. Memórias das sombras do tempo nos concelhos de Carrazeda de Ansiães, Alijó e Murça
    António Luis Pereira
  4. Uma manifestação de comunitarismo agro-patoril
    Carlos Seixas
  5. O Projeto Arquivo de Memória
    Alexandra Cerveira Lima | Bárbara Carvalho | Carla Magalhães
    Inês Batista | Jorge Sampaio | Maria Sottomayor | Ondina Monteiro
  6. Simbólica religiosa de Trás-os-Montes: olhares transversais e perspetivas cruzadas
    Martin Soares | Paulo Patoleia
  7. Continuidade e mudança nas festas de São Sebastião em Barroso
    João Azenha da Rocha | José Filipe Sepúlveda
  8. Responsos, lendas e rezas de Adeganha, Torre de Moncorvo
    Arnaldo Duarte da Silva
  9. Raios e coriscos
    Alexandra Vieira
  10. Paisagem urbana e rural em S. João da Pesqueira. Evolução vivencial do território
    Artur Oliveira
  11. Perspetiva histórica e social do concelho de Alijó a partir das Memórias Paroquiais de 1758
    Joaquim Grácio
  12. A evolução da mobilidade no Alto Douro. Memórias de um transmontano na década de cinquenta
    Susana Maria Vasconcelos Mesquita
  13. “Onde há galo não cantam galinhas”
    Carlos d’Abreu | Carlos Medina
  14. O Castro S. João das Arribas. Achegas para uma storia das Arribas. Parte II
    Mónica Salgado | Pedro Pereira

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Museus

Vai ser lançado o segundo número da Revista Memória Rural

Esta publicação cultural e científica, de periodicidade anual, em apenas dois números já reuniu a colaboração de 38 investigadores, fotógrafos e escritores que se debruçaram exclusivamente sobre temáticas do Património Imaterial, Vernacular, Etnográfico e da Memória Histórica da região.

António Luis Pereira

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A apresentação pública do segundo número da Revista Memória Rural (RMR) vai ser realizada no dia 7 de dezembro, na sede do Museu da Memória Rural, em Vilarinho da Castanheira, pelo Doutor António Ponte, Diretor Regional de Cultura do Norte.

A RMR é uma publicação do Museu da Memória Rural e surgiu pela primeira vez no ano de 2018 no panorama editorial da região de Trás-os-Montes e Alto Douro. Assumindo-se como o órgão editorial desta estrutura museológica do concelho de Carrazeda de Ansiães, a suas edições pretendem fortalecer o processo de comunicação do projeto museológico, tentando dar-lhe visibilidade e dinâmica regional e nacional.

Esta publicação cultural e científica, de periodicidade anual, em apenas dois números já reuniu a colaboração de 38 investigadores, fotógrafos e escritores que se debruçaram exclusivamente sobre temáticas do Património Imaterial, Vernacular, Etnográfico e da Memória Histórica da região.

A revista é produzida em papel e em formato digital e pode ser adquirida através do site do Museu da Memória Rural, ou passado algum tempo da sua distribuição impressa, consultada e descarregada online, a partir do sitio eletrónico , ou através da sua versão em Open Journal system (OJS) de forma gratuita.

O Museu da Memória Rural, espaço que acolhe e é responsável pela criação e dinamização desta iniciativa editorial, é um projeto museológico polinucleado que tem vindo a ser construído por diversas aldeias do concelho de Carrazeda de Ansiães, caraterizando-se fundamentalmente como uma instituição local que visa responder às necessidades de dinamização cultural e preservação do espólio identitário de um território marcado pelos fortes problemas da interioridade.

Constituído na atualidade por 5 núcleos museológicos dispersos por diferentes localidades do território concelhio, o Museu da Memória Rural está a ser idealizado como um projeto pioneiro na região, assentando os seus pressupostos nos princípios de uma museologia social e coesiva que pretende o envolvimento e a participação da comunidade num processo dinâmico de valorização dos recursos culturais do concelho.

Metodologicamente, o museu aposta numa abordagem participacionista do património, privilegia uma visão dinâmica do passado e pugna por uma intervenção científica e cultural capaz de operar com metodologias de intervenção comunitárias, democráticas e participativas.

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Arqueologia

Descoberta de vasos (quase) intactos com sementes revela o que cultivavam povos antigos

Projeto de Investigação arqueológica sobre o Castro de São João das Arribas – Miranda do Douro. Descoberta de vasos (quase) intactos com sementes revela o que cultivavam povos antigos.

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São minúsculos pontinhos pretos, com aparência petrificada, e carregam muita história: as sementes que Luís Seabra, aluno de doutoramento da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e investigador no CIBIO-InBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, está a estudar foram encontradas em vasos (e também fora deles) nas escavações realizadas no âmbito do Projeto de Investigação arqueológica sobre o Castro de São João das Arribas – Aldeia Nova (Miranda do Douro), coordenado pela equipa de arqueólogos Mónica Salgado e Pedro Pereira, e ainda Susana Temudo.

Este projeto conta com a parceria da Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural. m sementes: a descoberta do “pequeno tesouro” O que despertou a atenção de Luís Seabra e dos orientadores da sua tese de doutoramento na área da Arqueobotânica/Carpologia para estas escavações foi a
descoberta, pela equipa de arqueólogos, nas campanhas de prospeção arqueológicas de 2016 e 2017, de vasos bem preservados, quase intactos, com sementes, um achado raro, um “pequeno tesouro” que poderá agora revelar muito sobre o que cultivavam os povos que ali viveram há centenas de anos e como o faziam. “É raro encontrar estes vasos. Acaba por ser um pequeno tesouro para nós e é importante realizar as devidas análises para, depois, fazermos então as interpretações. A descoberta destes vasos foi o ponto fulcral”, destaca o investigador, acrescentado que, com base na sua experiência de trabalho no Norte de Portugal, não tem conhecimento de achados semelhantes. “Penso que é excecional terem sido encontrados estes vasos quase intactos”, remata.

Para já, dentro destes vasos, e também fora deles, nas escavações arqueológicas, foram encontradas sementes de cevada, trigo e centeio, este em muito maior quantidade, representando cerca de 80 por cento da amostra.

Este material será, posteriormente, analisado ao pormenor em laboratório, para, depois, em conjunto com a equipa de arqueólogos, ser possível determinar o período cronológico a que pertencem e fazer as devidas interpretações históricas.

O estudo das sementes Do sítio arqueológico para o laboratório, tudo é escavado, descoberto e analisado ao pormenor. “Na zona das escavações, nas diferentes camadas, nós fazemos a recolha de sedimentos para posterior estudo. O processo é bastante simples. Fazemos a recolha de uma amostra, normalmente usando um balde de terra e depois fazemos um processo chamado flutuação, que consiste em colocar água sobre o sedimento, agitar, e, deste modo, todo o material orgânico sobe. Dentro desse material orgânico, encontram-se os carvões, as sementes e, a partir daí, fazemos as identificações e as nossas interpretações, sempre tendo em conta o contexto arqueológico”, explicou Luís Seabra.

Já em laboratório, com o auxílio de uma lupa, é feita a avaliação de todos os macrorrestos, quer daqueles encontrados dentro dos vasos, quer noutros locais durante as escavações, e a sua análise morfológica para identificação. Poderá ainda ser feito um estudo biométrico, “para compreender as dimensões dos cereais encontrados e, posteriormente, compará-los com os que já foram encontrados noutros sítios arqueológicos, de diferentes cronologias, e, assim, tentarmos perceber se existem diferenças com o avançar do tempo”, disse.

Os responsáveis pelos trabalhos arqueológicos do Projeto de Investigação sobre o Castro de São João das Arribas já tinham recolhido vários materiais, incluindo vasos e sementes, em anos anteriores, desde 2016, e cedo perceberam o potencial e a riqueza dos achados, tendo iniciado então uma colaboração com a equipa do CIBIO-InBIO para integrar estudos de Arqueobotânica/Carpologia naquele projeto.

Para já, “conseguimos identificar a presença de centeio, de cevada e de trigo. No entanto, vamos precisar agora de mais tempo, nos próximos anos, no âmbito do meu doutoramento, para fazer a análise das restantes amostras e depois conjugar os resultados”, disse Luís Seabra.

O período histórico em análise Uma primeira análise feita à antiguidade dos achados, vasos e sementes, indica que “estes deverão pertencer ao período cronológico Alto-Medieval, e poderão ter cerca de 1 000 a 1 500 anos. Mas é algo que necessita de maior aprofundamento”, revela o aluno de doutoramento.

Com base no estudo de todas as amostras que será levado a cabo nos próximos meses e no parecer dos arqueólogos, será possível determinar com maior precisão o período histórico ao qual pertencem as amostras recolhidas, bem como interpretar as práticas e contextos em que esses materiais foram encontrados e como eram usados por povos antigos. “Vamos tentar perceber os cultivos da altura, e também o contexto arqueológico. Será muito importante para nós compreender o contexto de todas essas amostras, saber porque as sementes se encontravam nesses vasos, qual é o seu significado, para depois fazermos as devidas interpretações”, explicou Luís Seabra.

A importância da Arqueobotânica/Carpologia e do trabalho multidisciplinar A Arqueobotânica é o estudo de vestígios botânicos antigos recolhidos em jazidas arqueológicas e a Carpologia um ramo de estudo mais específico focado nas sementes e frutos. Quando recolhidos em sítios arqueológicos, estes macrorrestos vegetais fornecem importantes informações acerca da economia e dos hábitos alimentares das comunidades humanas antigas. Estes estudos não devem ser separados, mas sim complementares e integrantes dos trabalhos arqueológicos. “Os estudos arqueobotânicos têm ainda pouca expressão em Portugal, mas são bastante importantes porque nos dão informações vitais para a compreensão do que e como cultivavam os nossos antepassados. Esta cooperação que temos com a equipa de arqueologia é muito importante, é uma forma de realçarmos este tipo de trabalho”, frisou a aluno de doutoramento. “Esta ligação, este trabalho multidisciplinar entre a equipa de arqueologia e especialistas de outras áreas de estudo permite obter um trabalho mais completo, com mais informação e isso é fundamental”, conclui.

Segundo Luís Seabra, o objetivo é que, nos próximos dois anos, sejam desenvolvidos e publicados artigos científicos com os resultados dos estudos que estão a ser realizados, em conjunto com a equipa de arqueologia. Luís Seabra tem como orientador principal, no âmbito da sua tese de doutoramento, João Tereso (investigador do CIBIO-InBIO) e ainda dois coorientadores: Rubim Almeida da Silva (Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto) e María Martin- Seijo (Grupo de Estudos para a Prehistoria do NW Ibérico-Arqueoloxía, Antigüidade e Territorio, Departamento de Historia, Universidade de Santiago de Compostela, em Espanha).

O que é o Projeto de Investigação arqueológica sobre o Castro de São João das Arribas? O Projeto de Investigação sobre o Castro de São João das Arribas, em Aldeia Nova, no concelho de Miranda do Douro, é um projeto de investigação arqueológica que teve início em 2016 e que, através de operações de baixo impacto, como prospeções e sondagens, pretende trazer à luz novos dados sobre a romanização e a ocupação humana no território do planalto mirandês. No âmbito deste Projeto, são realizadas escavações e estudos arqueológicos no Castro de São João das Arribas. O Projeto é coordenado pela equipa de arqueólogos Mónica Salgado e Pedro Pereira, e ainda Susana Temudo e tem como parceiros a Palombar, a associação francesa Rempart, a Junta de Freguesia de Miranda
do Douro e o Município de Miranda do Douro.

Este Projeto conta ainda com o apoio científico de Pedro Pereira, co-diretor da escavação e tem como coordenadores científicos: Armando Redentor, Susana Cosme, Nelson Rebanda, Hermínio Bernardo, Javier Sanchez-Palencia, Francisco Queiroga, Hortensia Larren Izquierdo, Rudolph Nicot e Inês Elias. A colaboração com a Palombar Preservar o património rural edificado é uma missão da Palombar, que considera fundamental a realização de estudos mais aprofundados que visem aumentar o conhecimento sobre a riqueza arqueológica da região do Nordeste Transmontano e sobre os antecedentes das técnicas de construção tradicionais, com o propósito de traçar a sua evolução histórica. Desde a sua criação, em 2016, que o Projeto de Investigação sobre o Castro de São João das Arribas conta com a colaboração da Palombar, que assegura toda a componente logística das campanhas de intervenção/prospeção arqueológica, bem como o recrutamento de voluntários, em parceria com a associação francesa Rempart, para integrar essas campanhas, que são enquadradas nos Campos de Trabalho Voluntários Internacionais (CTVI) da associação dedicados à Arqueologia.

A Palombar considera este Projeto um grande contributo para o estudo e conhecimento arqueológicos sobre o Planalto Mirandês e quer continuar a ser um ator ativo e interveniente nesta área de conhecimento.

Texto: Uliana de Castro/Palombar

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